Quinta-feira, Junho 25, 2009

Súplica


















Súplica

odete ronchi baltazar

Deixa que te diga
da solidão que trago em meu peito,
do choro que treme à beira dos olhos,
do sorriso pintado em aquarelas,
dos adeuses que lamentei,
do meu verso já feito
e que não mostrei.
Deixa que te mostre
meu peito doído
e minhas mãos cansadas,
meus sonhos quebrados
e a esperança já morta.
Deixa que te mostre
minhas flores já secas,
os poemas inacabados
e a minha longa estrada torta.
Deixa que eu me mostre
assim frágil, chorosa.
Depois, nunca mais baterei à tua porta.


Imagem original: Ivan Slavinsky

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Era uma vez


















Era uma vez

odete ronchi baltazar

Era uma vez um amor...
(tão intenso!).
Beirava a loucura,
e sem mais procura
espalhava-se neste mundo imenso.
Foi segredo
antes que as andorinhas,
voando baixo,
espalhassem em seus gorjeios
as notas dessa paixão.
Foi nó
na garganta
esperando as pontas
para desatar no chão.
Foi lágrima,
foi riso,
foi rio,
foi mar.
Desse amor
(tão intenso)
restou
a lembrança,
um pouco
de choro,
(de riso)
sufoco
e ar.
Só memórias...
sem remédio.
Não tem como voltar.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Rainha do lar?



















Rainha do lar?

odete ronchi baltazar

Segundo turno da segunda começando e eu ainda nos serviços gerais, que não acabam nunca.
Serviço de dona-de-casa é um serviço ingrato. Se a gente faz ninguém nota. Se deixa de fazer é um deus-nos-acuda! Todo mundo cai de pau em cima por causa da reviria.
Já pensaram bem quanta coisa temos que fazer para deixar uma casa em ordem?
Dona-de-casa deveria se chamar "administradora do lar", oras, pois é isso mesmo que ela é.
Vou enumerar algumas (eu disse "algumas"!) das tarefas que temos que realizar: lavar roupas, estender, recolher, passar, guardar, colocar nos cabides... varrer, passar pano, tirar o pó, cozinhar, ajeitar a cozinha depois do almoço, ou jantar... E se tiver crianças, ai, ai! A coisa fica mais complicada.
Sei. Vão me dizer que as brastemps lavam. Mas quem é que põe pra lavar, coloca o sabão, o amaciante, o clareador, a Qboa naquela manchinha? Quem engoma as toalhinhas de bandeja ou de pão? Pois é...
E o supermercado? Tem coisa mais estressante?
Faz a lista, passa nas prateleiras, põe no carrinho, passa no caixa, põe no carrinho, põe no carro, tira do carro, põe nos armários... Ufa! cansei!
E ainda tem o almoço pra fazer?
Ah, não!
Vou fazer um sanduíche que ninguém é de ferro!
E ainda tem muita coisa pra fazer... Nem pensem que terminaram as tarefas da dona-de-casa aqui.
Acho que essa história de reinar no meu lar é história mesmo. Eu sou mesmo é gata borralheira... Com avental e tudo o mais. Nem à noite viro Cinderela!
Entre louças, roupas e vassouras, desfaço os nós e os laços das fantasias diárias e entro de cabeça na realidade que não assusta, mas me deixa atenta e me diz que não é pra desistir de sonhar.
Sou teimosa, tenho sonhos nas pontas dos dedos e insisto em dizê-los aos quatro cantos do mundo.
Vamos em frente que o dia apenas começou!

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Sina de poeta




















Imagem de Elena Ray


Sina de poeta

odeteronchibaltazar

Neste criar/recriar,
minhas palavras vêm de mim,
mas não são minhas.
Quando as quero,
já não estão.
Alçaram vôo
e estão por sua própria conta
em bocas e olhos alheios,
que espiam seus significados
e desvendam meus mistérios.
Quero um nome,
mas destoo do canto geral.
Nesta sina de poeta,
solitária lida,
tenho tudo,
mas estou tão somente só.
Ó palavras, vivas palavras!
Ainda estarão aqui,
mesmo depois de eu virar pó...

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Um beijo




















Imagem - O beijo - Gustav Klimt

Um beijo

odeteronchibaltazar

Nada faltava naquele beijo?
Tinha a cor das manhãs,
o cheiro do café coado na hora
e a maciez das cobertas em dia de frio.
Era um beijo com jeito de roubado,
presente em papel de seda embrulhado
e muito laço de fita.
Um beijo com gosto de dia de folga,
sabor de batata frita.
Mais que um beijo,
a satisfação do desejo.
Era mais que um toque de lábios e línguas,
ou troca de sumos e sucos, afinal.
Era a penetração de almas em gozo.
Era puro êxtase,
tesouro precioso...
Só faltava ser real.

odeteronchibaltazar

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Na pontinha dos dedos















Na pontinha dos dedos

odeteronchibaltazar

Ela está quase ali,
no branco,
preenchendo o vazio,
cobrindo o infinito.
Mas ainda não é,
(e pode deixar de ser)
é só parar de sonhar.

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Poetrix















Velhice

O abandono bebe a solidão
e nestas horas, é somente o frio
quem lhe dá a mão...

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Filosofando



















Hoje, apesar do sol, apesar do friozinho que tanto gosto, estou triste.
Morreu uma amiga dos tempos de colégio e que havia reencontrado no orkut.
Estranho ver ainda o perfil dela por lá e saber que não mais existe.
Estou sensível e choro por tudo. Choro pelo medo da morte que chega tão próxima, levando-me os que estão por perto.
Temor da morte é algo que todos têm, mas eu tenho um medo tão intenso que, muitas vezes, me impede de viver.
Muitas pessoas têm na religiosidade um consolo para a morte.
Eu não.
Faz algum tempo que não me encontro na minha religião.
Não creio em mais nada e isso me deixa sem perspectiva alguma, sem um lenitivo para meus temores.
Falo pro meu terapeuta, mas o que ele pode fazer em relação a isto?
Dizer que não somos eternos é me deixar mais apavorada ainda.
Falar que tenho (?) muitos anos à frente não me consola.
Afirmar que meus queridos ficarão um bom tempo comigo não me traz paz.
O que me deixaria tranquila então?
Nem eu mesma sei.
Trabalhar e seguir com a vida sem pensar na sua finitude. Viver como se fosse para sempre. Fazer planos, realizá-los e viver intensamente a família e os amigos.
Talvez sejam essas as atitudes que devo tomar para seguir adiante sem ficar em pânico.
Pensar na morte é morrer um pouco a cada pensamento.
O que me resta é ir em frente e levantar todos os dias, fazer os mesmos atos, conversar, lavar, cozinhar, escrever, varrer, beber, sorrir, chorar, amar, sentir fome, frio, calor, raiva... Ter amores, amigos, gostar do sol, da chuva é pensar que continuarei viva, embora diferente. Átomo que se transforma, mas não desaparece.
Assim dá pra pensar que serei eterna.
Hoje estou assim, filosofando.

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Um conto



















Quase-perfeito

odeteronchibaltazar


Não fosse aquela dorzinha insistente na cabeça, estaria tudo perfeito. Luzes acesas, tvs ligadas, todas no mesmo canal, ventiladores girando no teto, ar condicionado ligado no máximo. Tudo fresquinho, quase gelado, agradável na semi-obscuridade solitária da casa. Um sossego..
Sentou no sofá depois do banho tomado, com um prato de frutas: uvas crocantes, deliciosas, geladinhas. Gostava de sentir o bago estourar entre seus dentes e o sumo escorrer goela abaixo. Precisava estar assim, com os bagos bem firmes para ser bom e sentir o croc gostoso na boca. Não fosse a fisgadinha na cabeça, tudo estaria mais que perfeito. Quão pouco precisava para ser feliz! A solidão, a temperatura geladinha e as uvas.
Sozinha, sem compromissos, sem esperas, sem horários, sem cobranças, cabelos molhados e despenteados, camisolão velho e furado em vários lugares por cima do corpo nu, pés em cima da mesa de centro. Como era bom estar só!
Perfeito! Não fosse a dorzinha insistente que nem mesmo o analgésico conseguira anular, ali, naquele momento, seria o céu.
Nenhum barulho lá fora, nenhum carro, ninguém para esperar. Solidão desejada. Solidão amada.
Continuou a comer as uvas e a sentir o estalar crocante e molhado na boca. Olhava a tv, sem prestar atenção. O suco ainda escorria por seus lábios quando caiu inerte, de bruços, no chão sobre as uvas, quebrando o prato.
A dor de cabeça passara, pensou...ah, agora sim, estava no céu.
No dia seguinte, o caseiro da fazenda encontrou-a deitada no chão entre cacos e uvas, mortinha da silva, como explicou ao delegado. A porta estava aberta e tudo assim, ligado e aceso. Pensei que não tinha ninguém e vim apagar as luzes, seu moço, como sempre fazia, explicou depressa.
Ela estava com um sorriso tranqüilo, como se estivesse tudo em ordem. Tudo estaria perfeito, não fossem aquelas moscas voejando ao redor da sua boca...


odeteronchibaltazar

Terça-feira, Maio 12, 2009

Tarja preta















Tarja preta

odeteronchibaltazar

Eu vi a criança suja na rua
recolhendo migalhas.
Eu vi o bêbado na luz da lua,
caído e sem mortalha.
Eu vi a mãe aidética,
quase nua,
dormindo por sobre o frio asfalto.
Eu vi o garoto com fome,
cheirando cola sob a luz do sol.
Eu vi o velho desdentado na rua
pedindo compaixão.
Eu vi garotos comandando assalto.
Eu vi meninas tão pequenas,
catando comida no lixão.
Eu vi!
Eu vi tudo
mas fiz que não vi, não.

odeteronchibaltazar

Pêndulo




Pêndulo

Pra-cá-pra-lá-pra-lá-pra-cá
Deixa estar
que o tempo
não parará.
E eu?
Tonta
não sei o que vim buscar.

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Recadinhos by odete

















Recadinhos by odete

Se você me ouvisse,
não estaria assim
macambúzio,
comendo diets,
chutando o pau da barraca.
Se você me ouvisse,
(de)certo
estaria
pescando poesia,
velejando rimas
com all reserved rights.

odeteronchibaltazar

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Espelho das águas















ESPELHO DAS ÁGUAS

odeteronchibaltazar

Assusto-me
com os tantos caminhos
que a vida delineou em minha boca,
em meus olhos,
em meus dias.
Não me dei conta dos traçados
inúteis
que deixei vingar.
Nem me preocupei
em construir pontes,
demarcar fontes
onde, mais tarde,
eu pudesse me refrescar.

Agora,
miro este corpo marcado,
este chão quebrado e
corro feito louca
contra o tempo.
Mas ficou tarde para retomar verdades.
Inútil querer voltar ao passado.

Imagem by Martha Moura

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Letras & tintas















Letras & tintas

odeteronchibaltazar

Fico em lenta agonia
esperando tuas letras,
escritas uma a uma em minha pele,
com teus dedos em poesia...
Espero tuas tintas
que haverão de tingir,
em minhas faces,
o vermelho-rubro
de uma paixão sem fim.
E te digo, enquanto pintas:
"Não há no mundo,
um amor tão perfeito assim!"

Sábado, Abril 25, 2009

Presente de uma tarde de outono


















Presente de uma tarde de outono

odeteronchibaltazar

Teu poema pousou suavemente em minha tarde
e eu o escondi entre os meus sonhos...
Tive medo
que voasse para longe.
Tive medo que fizesse alarde
e fugisse enquanto eu dormia.
Tive medo
que as folhas de outono
o escondessem
na fria tela do meu dia.

odeteronchibaltazar

Quinta-feira, Abril 23, 2009

À noite... só...













À noite... só...

odeteronchibaltazar

Falo para a noite que chega
e não encontro consolo.
Digo que não mais esperarei
mas aqui estou,
outra vez,
colando pedaços
que espalhei pelas tardes
à espera de teus beijos.
Falo somente para a noite
pois ninguém mais entenderia
esta espera
feita de cores e fitas.
Só a noite
me propicia
esconderijos nas esquinas.
Só a noite
mantém este segredo
que já nem sei guardar.
Só a noite me diz:
"Espere. Ele há de chegar!"

odeteronchibaltazar

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Borboleta




















Borboleta

odeteronchibaltazar

Procuro,
nas cores,
a borboleta,
- aquela -
que se deixa pousar em
minha mão.
Fica lá,
imóvel,
feito meu anel...
Lambe meus dedos,
rouba-me as flores
e deixa brilhos esvoaçantes,
deixa gotas de chuva,
sobram pingos de mel.
Nas minhas mãos
em oração
suspendo asas de cristal.
Efemeridades,
sopro divino,
frágeis leques,
pousados entre o Bem e o Mal.

odeteronchibaltazar

Foto digital by odete

Quarta-feira, Abril 08, 2009

Shhhhhh!



















Shhhhhh!

odeteronchibaltazar

Silêncio!
Quero ouvir os passos
do meu amor que está voltando.
Ele chegará tão quieto e silenciosamente,
que pode passar despercebido...
Sei que ficará comigo...
... Mas não sei até quando...
Também sei que ficarei em nuvens.
Por favor, não me acordem,
pois sei que estarei sonhando...

Quinta-feira, Março 26, 2009

Nós




















Nós

odeteronchibaltazar

Minha vida ata nós
que não consigo desatar.
Tu e eu,
nós,
que deixo,
deliberadamente,
atar.

Quinta-feira, Março 19, 2009

Expresso




Expresso

Engulo depressa
meu café
com poesia .
Queimo a língua
ao dizer "eu te amo"
(todo dia).

odeteronchibaltazar

Quinta-feira, Março 05, 2009

Incurável




















Incurável

odeteronchibaltazar

Este meu tédio
dói aqui dentro do peito,
mas já não tem remédio.
E só há um jeito
de fazer este amor sossegar:
É esquecer os versos e as juras,
é apagar da minha pele
o arrepio e a ternura
que me faziam (en)cantar...

Terça-feira, Março 03, 2009

Branco




















Branco

odeteronchibaltazar

Confesso:
tenho medo
desta página em branco
que me provoca
em sua paz.
Preciso de coragem
para rabiscar saudades
revirar meus dias
e sentir o poema
que ela me traz.

odeteronchibaltazar

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Ousadias
















Ousadias

odeteronchibaltazar

Inventei desta vez:
salto Luis XV
Tri-fil,
(cinta)-liga
(es)partilho
meia taça
(cheia) de borbulha,
cócegas, risos,
talvez
brilhos no verde do olhar.
Só falta o bolero a dois.
Falta a fagulha.
Falta te chamar.

odeteronchibaltazar

Sábado, Fevereiro 07, 2009

Ilhada





















Ilhada

"Todo homem é uma ilha...
(Toda mulher é uma ilha).
É bom ser uma ilha distante
tanto quanto é bom ser um homem.

Todo homem possui uma ponte
pois é preciso sair da ilha, seguro.
A ponte de um homem é um braço estendido."

Carlos Drummond de Andrade


Quantas vezes nos sentimos ilhados,
incapazes de construir um barco
que nos transporte à outra margem.
Quantas vezes desistimos da chegada,
mesmo antes de partir.
E ali permanecemos isolados,
negando-nos qualquer auxílio,
qualquer atenção.
Destruímos qualquer
gesto,
qualquer aceno
qualquer olhar
que queira se aproximar.
E ali ficamos,
muros erguidos,
acessos negados,
portões trancados.
E ali deixamos os dias e as noites
passarem sem distinguirmos um do outro.
E ali nos largamos
sem esperança,
sem mesmo um olhar
para dentro de nós.
Encolhemo-nos dia a dia
e vamos sumindo,
virando onda transparente,
gota invisível a olho nu.
Não somos mais reconhecidos,
somos olhados através,
somos vistos de revés.
Quem, nesta hora,
poderá nos perceber?
Quem pode?
quem poderia
se nossas mãos não se erguem mais,
se nossos braços,
impotentes,
não conseguem mais
dar-nos de comer?

odeteronchibaltazar

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Múltipla





















Múltipla

odeteronchibaltazar

"Se me contemplo,
tantas me vejo,
que não entendo
quem sou, no tempo
do pensamento.
(...)
Múltipla, venço
este tormento
do mundo eterno
que em mim carrego:
e, una, contemplo
o jogo inquieto
em que padeço."
Cecília Meireles in Mar absoluto e Outros Poemas

Não quero imitar, mas acabo imitando. Ando com tantas odetes em mim, que me vejo como tantos poetas que se desdobraram em vários personagens (olhem que convencida que estou!).
Quem está escrevendo aqui é a odete-dona-de-casa-mãe-esposa-filha-irmã-poeta-amante-triste-faceira-arteira-etc-e-tal.
Vim aqui com todas as minhas odetes, mas nem sempre é assim.
Muitas vezes aparece somente a odete-poeta e esta é meio tristonha, meio down, deprimida até, e quando ela aparece, toma conta das minhas palavras e não consigo controlar. Por isso a maioria de meus poemas são tão tristonhos. Esta odete sofre e chora de verdade.
Noutras vezes vem a odete alegre, displicente, divertida até... (a que manda recadinhos). Esta adora brincar de amar. Adora um "fantasiê". Veste-se de namoradeira e sai aprontando.
Na maioria das vezes aparece a odete centrada: é a que escreve crônicas do dia-a-dia com transparência e verdade, sem enfeitar nada. Esta é a mais realista que existe dentro de mim. É a dona-de-casa, amiga dos eletrodomésticos, a que cozinha sopas ao anoitecer e espera o marido na porta de casa. É a mãe e avó dedicada. É a que brinca de casinha todos os dias.
Existe tantas odetes em mim, quantas são necessárias para cada ocasião.
O difícil é quando minhas múltiplas personalidades se misturam e eu me atrapalho toda.
Não é fácil gerenciar cada uma delas, pois a cada dia me desdobro em outras que vão aparecendo.
Sabem?
A odete-poeta fica tímida quando tem que mostrar seus poemas ao mundo. Aí entra a odete-sensata e diz: pra que você escreve se não quer mostrar ao mundo? Não precisa se envergonhar de ser tão sentimental e lírica.
Então me solto, poeta, enfim...
Esta multiplicidade de odetes já foi observada por alguns de meus leitores (vejam que chique!) que me escreveram falando do assunto e eles ficam admirados com minha abundância de identidades (eu acho que ficam atrapalhados com tanta confusão...).
E se eu desse um pseudônimo para cada minha personalidade?
Faria como Fernando Pessoa e seus heterônimos.
Hi! Acho que não devo. Vou me atrapalhar mais ainda.
Melhor deixar como está.
Assim vou sendo múltipla e dou, a vocês, o problema de descobrir qual está atuando no momento.
Saberiam me dizer quem está aqui agora?

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Altos e baixos - o efeito gangorra












Altos e baixos - o efeito gangorra

odeteronchibaltazar

Li o livro da Kay Redfield Jamison "Uma mente inquieta" e em vários relatos me identifiquei com a autora que tem transtorno bipolar, antigamente chamada de doença maníaco-depressiva.
É um transtorno onde o indivíduo se vê em fases de extraordinária produção intelectual e física, opondo-se a outra fase de completa ausência de interesses pelo que quer que seja. Fases de euforia e fases de depressão braba.
Fases como a lua: "fases de andar escondida, fases de vir para a rua", como diz a Cecilia Meireles nos seus versos.
Vou falar por mim que me trato (há bastante tempo) deste mal:
Desde que me conheço por gente, sempre tive esses altos e baixos no meu comportamento. Que eu me lembre, desde a minha infância, na época do primário, eu já apresentava surtos maníacos. Lembro de uma vez que rasguei livros e cadernos só porque não conseguia traçar uma linha com a régua e caneta sem borrar. Conseqüência: tive que remendar o livro e passar todos os "pontos" a limpo.
Pela vida afora, fui apresentando mais ou menos episódios que sempre pareciam fazer parte da minha personalidade "estranha", mas nunca tive um diagnóstico a não ser há alguns anos (há 16 anos).
Na fase depressiva o raciocínio e a concentração ficam comprometidos. Não consigo ler, escrever ou ver filmes.
Tenho fixação pela morte: medo de perder os que me rodeiam e constantemente querendo uma explicação para este tema. Não me animo a fazer nada, o sono fica perturbado com freqüentes apnéias.
Não saio porque não quero ver gente. Tenho medo de qualquer aproximação, mesmo com os mais chegados da família.
Não atendo telefone ou campainha.
Não saio para fazer compras ou cuidar de mim.
Fico horas parada com a mente perdida, sem nenhum pensamento.
Nestas horas, o choro fica fácil, a raiva fica descontrolada e, não raro, acabo quebrando objetos que estão ao alcance das mãos.
Meu estômago vive com um grande buraco e como grandes quantidades de comida até vomitar... e me arrependo depois. Não foi à toa que fiquei obesa, culminando numa gastroplastia.
Procuro comida nos armários e geladeira e acabo comendo porcarias que me fazem mal.
Na fase de mania faço tudo exageradamente e com uma alegria exacerbada, tais como: falar, comprar, escrever, limpar, amar. Nesta fase acentua-se a minha mania de limpeza e varro várias vezes o mesmo lugar.
É nesta fase que recomeço meus exercícios físicos, cuido da dieta, pinto ou corto o cabelo, faço depilação, arrumo as unhas em cores, atendo telefone, saio com as amigas.
Se vou fazer compras acabo comprando coisas que nem vou usar como por exemplo roupas, sapatos, bolsas, óculos. E me arrependo depois... Juro que não faço mais, mas acabo fazendo igual no próximo surto compulsivo.
Tudo isso que (falei) escrevi tem conseguido aparecer em doses controladas, se é que se pode falar desta maneira, já que faço tratamento psicoterápico e farmacológico. Ou seja: vou ao psiquiatra regularmente e tomo medicação apropriada.
Aceitei que tenho o transtorno bipolar e sobrevivi ao preconceito de ser uma interna de clínicas psiquiátricas e de ter feito o tratamento por eletrochoques (ECT). Já falo normalmente (?) da minha "doença", embora nem sempre meus ouvintes achem a coisa tão natural quanto o é para mim.
Os que estão mais próximos de mim, me entendem e me aceitam com minhas manias e depressões.
Não posso ficar sem meus comprimidos e/ou terapia para meu próprio bem e dos que me rodeiam, mas consigo ter uma vida praticamente normal, respeitando minhas limitações. Quem me vê nem diz que eu sou assim. Disfarço bem.

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Minha máquina de lavar roupas aluada





















Minha máquina de lavar roupas aluada

odeteronchibaltazar

Minha máquina de lavar roupas, que não é nenhuma Brastemp, mas é também famosa e de boa estirpe, de uns tempos pra cá vem apresentando um ruído estridente na lavação. É um trec-trec-trec alto e ruidoso que me incomoda o tempo todo em que ela funciona. Sabem quando parece que tem alguma engrenagem solta? Pois é...

Faz toda a programação bonitinha, tudo corretinho. Mas a barulheira é tanta, que aqui está parecendo casa de louco. Para não enlouquecer de vez, chamei o técnico, meu conhecido de outras máquinas.

Chegou, mexeu na máquina, botou pra funcionar e, enquanto eu rodeava o técnico pelas vizinhanças da área de serviço, percebi um certo silêncio. Não é que a minha ruidosa e escandalosa máquina estava rodando bela e faceira com a educação de uma lady? Silenciosa, sem trec-trec algum. Como é que é?

- O que era que fazia aquele barulho infernal? Perguntei pro rapaz.

- O que era o quê?

- O defeito, insisti.

- Não fiz nada. Não mexi em nada. Só botei pra funcionar.

- Como assim? Essa máquina estava fazendo tanto barulho que nos deixava malucos e agora está muda que nem uma porta. Nem parece ligada.

O técnico me olhava de soslaio.

- Acho que é porque está girando sem água, disse eu, achando que tinha descoberto finalmente algo importante.

Então colocamos água e sabão e até roupa, e ligamos a Dona Máquina Aluada.

Suspense! Tensão no pequeno recinto.

Tchan tchan tchan tchan!

Silêncio absoluto! Cadê o barulho? Cadê o trec-trec-trec que me enlouquecia?

Fiquei com cara de tacho.

O rapaz devia me achar uma daquelas donas de casa desesperadas por companhia, que chama o técnico de qualquer coisa, só pra ter com quem conversar.

Fiquei sem graça, sem jeito, sem assunto.

Que remédio! Paguei a visita de praxe.

Querem saber? Dois dias depois a porcaria da máquina voltou a fazer o maior estardalhaço.

Está lá, rodando sozinha na área de serviço, feito uma louca com os trec-trecs dela, aquela doida varrida! Aluada!

E agora? Chamo o técnico?

E se a máquina resolve ficar boazinha na frente do moço de novo?



(22 de setembro/2007)

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

Faro















Faro

Teu cheiro,
coisa volátil,
incêndio,
trovão.
Onda que me excita,
incita,
fustiga.
Mescla de sândalo
e jasmim,
teu cheiro nutre
e me pinica.
Teu cheiro
cabe inteiro
nos meus desvãos.

odeteronchibaltazar

Domingo, Dezembro 28, 2008

Aqui jaz um blog
















Coisa triste é visitar blog abandonado. É como se entrássemos em casas desertas, cobertas por lençóis e cheias de poeira, como a gente vê nos filmes americanos. A gente passeia pelos cômodos e não encontra sinal de vida. E pensamos em como deveria ter havido alegria pulsante todos os dias naquele lugar que amanhecia ávido por novas postagens e em como tinha movimento naqueles becos em que se entra, agora, silenciosos e tristes.
Embora não goste de passear entre os escritos abandonados, como se de repente algum acordasse do abandono imposto e pudesse me assustar, vou lendo os escombros deixados pelo poeta ou contador de histórias.
Fico a me perguntar o que faz o poeta abandonar seu lugar de registro do dia a dia. Cansaço? Tédio? Preguiça? Falta de tempo? Depressão? Falta de inspiração? Morte?
E as palavras, mudas o tempo todo, não explicam nada. Não me contam o segredo. E fico a ler tudo com avidez para ver se encontro uma pista que revele o porquê do abandono daquele espaço.
Há aqueles que, mesmo abandonados, mantêm um certo glamour. Têm classe. E mesmo deixados de lado, ainda têm atrativos, os mesmos de quando eram atualizados o tempo todo. Têm categoria.
Há, porém, aqueles em que o abandono aparece em toda parte. Ficaram obsoletos no layout, as imagens foram substituídas por um "x" e as palavras já não dizem nada. Os links estão quebrados e não levam mais a lugar algum.
É a decadência visível do espaço. Tem-se que acender a luz em cada cômodo e, mesmo assim, há aquelas que estão queimadas ou que faltam. A poeira intoxica e coça o nariz. É como se a gente descobrisse um lugar com corpos destroçados e em decomposição.
Triste, muito triste visitar um blog assim. É como se passeássemos olhando lápides de "Aqui jaz". Sensação de solidão, de adeus.
Passo depressa e, mais que depressa, clico em outros links à procura de vida.
Deixemos os mortos em paz.

Domingo, Novembro 09, 2008

Caixa dos guardados


















Caixa dos guardados

odeteronchibaltazar

As minhas mãos vazias escrevem o destino deste amor que já nasceu com tempo para acabar.
E entre as páginas em branco, vou deixando impressas, as lágrimas que enxuguei nas fronhas das noites insones.
Nunca soubestes das minhas agonias.
Mas hoje escancaro as janelas e deixo o sol entrar outra vez para iluminar os meus escondidos...
Fiat lux!
Há tanto para iluminar...
Há tanto para repensar e separar nas caixas que deixei sem um olhar!
Aqui está, num embrulho de papel dourado, o beijo que sempre quis dar, mas que nunca foi dado.
Nesta caixa de papelão tenho os mil anseios que guardei na espera que viesses.
Neste outro embrulho de papel pardo, tenho o choro que ninguém nunca viu. Nem tu... Ficou sempre aqui guardado.
Há também, umas gavetas trancadas. Joguei fora as chaves.
Estas, nunca mais abrirei.
Lá estão as agonias, guardadas lado a lado com a tua ausência.
Tem também a indiferença, o olhar enviezado e o gesto brusco, a palavra dura, o beiço virado.
Não quero isso mais, não!
Mas tenho um tesouro aqui nesta caixinha de música com bailarina na pontinha do pé.
É o teu riso cristalino, o senso de humor refinado, o carinho recebido...
Também guardo um pouco da tua rabugice que me deixava em polvorosa nas manhãs de azuis esperas.
Entre as páginas em branco, (aquelas escritas com minha solidão), tenho uns versos de Cecília que me aquecem o coração...
Releio e olho mais uma vez. Fecho tudo e suspiro.
As caixas dos guardados vão ficar esquecidas por mais um tempo.
Enquanto isso... outros amores virão.

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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Tempo de saudades

Tempo de saudades

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Teço as manhãs e as tardes
com a saudade que nasce
dos meus dias.
Saudades que brilham em luares,
saudades que pintam as cores do pôr-do-sol,
saudades que cintilam em meu olhar.
E por não estares em meus dias,
sigo em brumas
e melancolias
que dormem e acordam nas minhas
pobres fantasias.

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Terça-feira, Outubro 07, 2008

Recadinhos by odete

















Recadinhos by odete

Eras tu que me vestia
da cabeça aos pés.
Eras tu que me enfeitava
com as palavras
e com as tuas melodias.
E mesmo com tuas rabujices,
eu consegui ser feliz
naqueles dias.
Despida, agora,
sou ave sem ninho
mar sem praia,
pauta sem sinfonia.
E o que me resta nesta hora?
Sem ter em quem ter fé,
só o que me sobra é ir embora.

odeteronchibaltazar

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

(Re)part(ir)




















(Re)part(ir)

odeteronchibaltazar

Tantas coisas já dividimos, veja só:
a dor da solidão, a ansiedade da espera, o choro da saudade...
Repartimos a ausência, a indiferença...
Fizemos os dias mais leves, em intimidades vividos.
Somamos o ar que respiramos às alegrias, às palavras,
e ao verbo que se fez poema um dia.
Acrescentamos sonhos em cada gesto, amamos com delicadeza e ternura.
Tanto tivemos pra contar, tanto a tecer considerações!
Tantos risos enfeitaram as manhãs e as noites que nem sol, nem estrelas se podiam comparar.
Quantos segredos espalhamos pelas tardes!
Brevidades...
Tão pouco desfrutamos deste amar...
Agora, seguimos em diferentes direções sem falar se há choro ou riso, se há paz, se há barulhos ou sinfonia.
Fechamo-nos em chaves, trancas e tramelas.
Não há mais espaço para a poesia.
Vidas, em monótona realidade, sem ter lugar pra fantasia.

odeteronchibaltazar

Sábado, Agosto 16, 2008

Recadinhos by odete


















Escondo meus beijos
em poemas inventados
na tarde solitária.
Beijoss que nunca
serão dados,
beijos da minha fome
e por mim mesma alimentados.
Traço teu nome
em laços e fitas
e dou um nó.
Guardo-o em minhas mãos,
pego um tantinho de fé
ajoelho e peço em oração
para que eu não seja tão só.
Vê bem, presta atenção:
Esta é a última fantasia
e a decisão não é arbitrária.
Não é capricho meu,
nem minha invenção.
É a mais pura verdade:
eu quero os beijos
(os teus),
aqueles que nunca me foram dados.

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

Minha ternura em tuas mãos

















Minha ternura em tuas mãos

odeteronchibaltazar

Entre o dito e o não-dito
fica a mágoa,
instalada
no peito
que dói.
Entre as palavras que ferem
deixo estar
minha poesia
que embalava nossos sonhos
e umas tantas fantasias.
Entre os versos tontos
fica minha ternura,
ainda pura,
que procura por teu ninar.
Entre minhas lágrimas
deixo os meus sonhos que,
tolos,
insistem em te buscar.

odeteronchibaltazar

Quinta-feira, Julho 31, 2008

Na medida certa


















Na medida certa

odeteronchibaltazar

Vais ficando longe,
muito longe
do meu pensamento...

E aquele amor doido,
(irracional)
vai virando
onda mansa,
água transparente...

Já não dói
tua ausência
em mim.

E eu,
criança,
procuro outro amor
que, por uns tempos,
não tenha mais fim.

odeteronchibaltazar


in "Só Poesia" Editora AVBL, pg 111, 2006

Domingo, Junho 29, 2008

Egoísmo

















Egoísmo

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Não me dei conta que cada tua mirada
era um poema escrito na íris,
marcada para sempre
pela luz do teu amor.
Como poderia eu perceber
se para mim mesma estava voltada?
Se estive o tempo todo
remoendo minha própria dor?

odeteronchibaltazar

Porta-jóias

















Porta-jóias

odeteronchibaltazar

Passaram-se muitos anos
mas teu perfume continua lá,
em saudades guardado,
no fundo daquela gaveta,
onde escondi os pequenos gestos
do amor que não podia vingar.
Tenho medo de abrir meu coração,
olhar-me bem lá dentro,
e ver a chama acesa
nos restos da poesia
que insisto em guardar.

odeteronchibaltazar

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Recadinhos by odete


















Recadinhos by odete

Quando penso em ti
não consigo falar em outra coisa
que não seja estrela,
noite, cristais, amor, sol e luar...
essas breguices (tantas!)
que todo apaixonado
insiste em mostrar.
Nem me importa
se me acham piegas,
nem ligo se me chamam de brega.
Estou apaixonada e quero dizer
quero insistir :
o amor é meloso por natureza.
Tudo fica mais lindo,
tudo fica uma beleza...
Estou pouco ligando se me acham uma tola.
Fico nas nuvens e nem dou bola.
Amo tudo enfim
quando te amo tão forte assim.

odeteronchibaltazar

Quinta-feira, Junho 12, 2008

De cama e mesa











De cama e mesa

odeteronchibaltazar


O meu desejo eu te ofereço
em serviço de prata
e os cristais que enfeitam teu corpo
eu bebo
ávida,
insensata.
Degusta-me em pequenas porções
saboreando cada pedaço
deste desejo
que me chega
ardendo
nos beijos atrevidos que me pões...

odeteronchibaltazar

Recadinhos by odete
















Recadinhos by odete

Dizer que te amo
é repetir-me
em palavras
em pensamentos
em atos
e coração.
Dizer que te desejo
é gritar
meu segredo
aos quatro cantos
do mundo,
é te querer em oração.
Dizer que te quero
é repetir-me
em desejos
em amor
em adoração...

odeteronchibaltazar

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Recadinhos by odete
















Recadinhos by odete

Sinto falta de teu nome bordado na minha pele
em carícias de fogo.
Falta-me o teu riso
fazendo música com a chuva de meu desejo.
Eu sinto a falta do nosso pouco juízo
brincando como crianças no parque.
Falta-me a tua boca
desenhada em promessas de mil beijos.
Sinto falta de acordar em teus braços
e dormir encolhida
até a noite não deixar mais nenhum traço...

odeteronchibaltazar

Sexta-feira, Maio 09, 2008

Aquarelas

















Aquarelas

odeteronchibaltazar

Nossos segredos
criaram asas,
e andam por aí a brincar
em páginas
viradas de branco
a cores tantas,
que nem o arco-íris consegue acompanhar.

odeteronchibaltazar

Terça-feira, Abril 22, 2008















Ancoradouro

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Quero me conhecer
no teu corpo,
fazer dele
meu porto seguro,
e em teus sonhos me aninhar.

odeteronchibaltazar

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Absconso













Absconso

A palavra me incomodou o dia todo sem quê nem porquê.
Fora de contexto, fora de horário
sem significado.
Fiquei esperando o momento de escrever
e descobrir o escondido, o inusitado.
Agora não sei o que fazer com ela...

Acho que vou pintar uma aquarela

odeteronchibaltazar

Quinta-feira, Abril 03, 2008

Quebranto

















Quebranto

odeteronchibaltazar

Bastaria um aceno,
um gesto de leve,
um simples toque,
e minha alma se encantaria
e de novo voaria,
asa liberta por esta brancura dos versos,
e diria coisas tais que encheriam meus olhos e os teus,
e o coração se emocionaria,
e os olhos dariam águas aos rios de poesias.
Rios que correriam entre as pedras das dores quebradas e já sem mágoas.
E eu teria algas em meus dedos salpicando cada poema que saíssem de meus encantos.
E seríamos um só de novo:
energia pura,
pura poesia!

odeteronchibaltazar

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Eu me amo, você não?





















Eu me amo, você não?


odeteronchibaltazar

Não é questão de egocentrismo ou exibicionismo ou mesmo de "umbiguismo" (acabei de inventar) cuidar e curtir a própria aparência, mas quando se vê alguém que se cuida, todo mundo a rotula de exibida. Só porque cuida do próprio corpo?


Apesar dos rótulos impostos, é essencial que se tenha cuidados básicos consigo próprio, com a saúde e com a aparência.


Nosso corpo é nosso cartão de visitas. Não é preciso ser capa de revista, mas uma boa imagem é sempre bem vinda.


Para isso, precisamos ter certos cuidados e quem não se ama, não se cuida (geralmente em quadros depressivos isso se manifesta mais intensamente).


Vai daí que começa todo o processo de interiorização (você se ama) que acaba por se exteriorizar nos olhos, pele, cabelos, unhas, vestimenta...


Eu sou tímida, mas aqui na net eu fiquei exibida demais. Agora eu consigo mostrar minhas fotos que faço às escondidas de mim mesma, ou aquelas que eu tinha perdidas nas gavetas.


Acho que toda mulher tem um pouco de modelo-manequim dentro de si e adora um clic, mas nem todas têm coragem de se expor.
No meu caso, a partir do momento que consegui me "mostrar" mais, passei a achar menos defeitos em mim. Ou melhor, passei a aceitá-los sem me descabelar. Já não me acho a última das mulheres, nem a mais feia das "mocréias".


Estou gostando de mim e isso se reflete na minha aparência, no meu sorriso, no meu olhar.
E você, amiga, precisa ter seu dia de estrela. Nem que seja pra você mesma.
Um desses dias qualquer em que você está sozinha, sem nada pra fazer, vá para a frente do espelho, capriche na maquiagem, arrume os cabelos, coloque um rubro batom e faça caras-e-bocas. Clique-se mil vezes mil.
Sorria para você mesma. Divirta-se. Ria de você e com você.
Ninguém está vendo.
Só você!
E verá que legal o resultado!
Experimente! Você também vai se amar...

Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

P.S. Ainda te amo...



















P.S. Ainda te amo...

odeteronchibaltazar

De repente, dei-me conta
de que não devo mais dizer teu nome.
Pode ser que acabe falando alto demais e as paredes escutem...
(E és somente sonho, fantasia, quimera...).

Tenho fome deste teu nome
que me faz rir e cantar no chuveiro
ou na chuva abundante,
na grama ou no tapete,
na noite ou no sol escaldante.

Tenho sede de beber cada sílaba,
aos goles, devagarinho,
pra saciar este meu desejo sem fim.
Então, desenho-o só para mim.

E depois, satisfeita,
dormirei entre os papéis onde te rabisquei...
(E nem reclamo).
Só eu... E tu.
E sonharei.
Sem segredos.
Incoerente.

P.S. Ainda te amo...

Sábado, Janeiro 19, 2008

E- book do Grupo Pax Palavra Encantada


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Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

Prescrição

















Prescrição

odeteronchibaltazar

Se foste aquele
que em meus dias
espalhou poesia e cânticos,
hoje és a distância
que marca
a seqüência das horas
em agonia.
E o remédio para esta dor,
que marca fundo, sem jeito,
são gotas homeopáticas,
doses mínimas de um certo amor,
(que nem sei se ainda tens)
mas só ele
(só ele!)
fará efeito
bem aqui,
junto do meu peito.
Adianta pedir?
Ou minha voz nem faz mais efeito?

odeteronchibaltazar

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Ledo engano




















Ledo engano

odeteronchibaltazar

Eu disse adeus
mas não sabia
o quanto doeria,
na minha noite,
a tua ausência,
o teu silêncio
ou a falta do beijo teu.
Eu disse adeus
mas não sabia
o quanto eu sofreria...
E nem eu mesmo sabia
o quanto
ainda te desejo, anjo meu!

odeteronchibaltazar

Domingo, Outubro 07, 2007

Memória tem cheiro?


















Memória tem cheiro?


odeteronchibaltazar


Tenho mania com cheiros. Não suporto perfumes fortes. Sou muito sensível de nariz... Por isso só uso um tipo de perfume e tem de ser muito suave. Fico anos e anos usando o mesmo perfume... E um belo dia, sem mais nem menos, eu mudo para outro, também suave. E fico mais outros tantos anos sem mudar. Acho que acostumo com o cheiro e, como gosto de rotinas, acabo me sentindo bem com o cheirinho familiar.
O engraçado é que, quem vive à minha volta, acaba me identificando: cheirinho de dete... e também gosta.
Perfumes e cheiros são tão ricos e tão peculiares que dariam estudos e tratados imensos.
O olfato é um dos sentidos mais primitivos no homem e atentar para os cheiros em particular é uma maneira de exercer esta parte primitiva e instintiva que existe em nós. Os aromas chegam pelo nariz, tocam diretamente o coração e, alguns deles fixam-se na lembrança para sempre.
Comecem a sentir os odores que estão à sua volta e se deixem levar pelas lembranças que cada um evoca.
Odores e memória ficam ligados forever. Não é à toa que certos odores remetem às cenas que vivemos.
Para mim, isso funciona como um botão que é acionado na hora em que o nariz dá a primeira fungada. Lembranças me vêm à beira logo que sinto algum cheiro:
Cheiro do primeiro namorado, era cheiro de Bem-me-quer (perfume da Avon)
cheiro do primeiro dia de aula, igual a cheiro de goiaba,
cheiro de churrasco temperado me lembra festa de igreja,
perfume de lírios brancos lembram-me dia de finados,
cheirinho de lavanda é cheirinho da Samanta quando bebê,
cheiro de lençol de algodão branco lavado lembra cama de mãe,
cheiro de polenta me lembra a casa da nona Leocádia,
cheiro de casca de vergamotas me faz voltar aos dias de férias de julho, nos pastos do nono Bepi...
E assim, minhas lembranças tomam conta de mim e perfumam meus sentidos.
Agora é a sua vez de dizer quais os cheiros que trazem boas (ou más) lembranças...


odeteronchibaltazar


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P.S. uma indicação de leitura para quem é ligado em cheiros como eu:



"O perfume" de Patrick Süskind.


Excelente leitura.
"Quem se atrever a ler esse romance vai conseguir sentir os cheiros os mais diverso que permeiam a trama.
Desde o cheiro de peixe das bancas fétidas onde nasceu o personagem incrível, Grenouille, desta história até os mais insólitos aromas das meninas que ele elimina para conseguir fabricar seus perfumes.
Nascido estranhamente sem cheiro, o personagem busca o perfume que inebriará multidões e em busca deste aroma vive sem lei e sem fronteira.
Ambientado na França do século XVIII, "O perfume" é um romance que consegue ultrapassar as linhas do escrito e paira nas suas mãos como um cheiro indelével."
Vale a pena ler!
E o romance já virou filme também.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

Egoísmo















Egoísmo

odeteronchibaltazar

Não me dei conta que cada tua mirada
era um poema escrito na íris
pela luz daquele amor.
Como poderia eu perceber
se para mim mesma estava voltada?
Se estive o tempo todo
remoendo minha própria dor?